01 dezembro 2010

Polícia para quem precisa de polícia...

Nós nunca imaginamos que coisas ruins acontecem muito próximas. Pelo menos para a grande maioria da população, parece existir uma blindagem imaginária que impede nossos pensamentos de pensar no pior. Não nos atemos à segurança. Ainda mais em uma cidade pacata (?) como Rio do Sul. Mas a violência evolui aos poucos. Ela chegou aqui há muito tempo e, mesmo assim, diante de tantos acontecimentos, parece que o investimentos em segurança pública andam esquecidos. Quantas vezes você se lembra de ter precisado da polícia? Quantas vezes discou 190 em busca de ajuda? Quantas vezes foi atendido? Conte nos dedos as vezes em que a intervenção da polícia foi ágil e satisfatória.

Por azar ou coincidência surreal tenho vários parentes que precisaram da ajuda da polícia e não foram atendidos. Há mais ou menos dois anos um homem entrou na casa de uma tia e quase conseguiu violentá-la. Por intervenção divina (só pode ter sido isso), ela conseguiu se livrar do marginal, atingi-lo com um golpe e chamar socorro. A ajuda veio dos vizinhos. E a polícia? Bom, a polícia afirmou que o ato já tinha ocorrido e que não haveria nada que pudessem fazer naquele momento. Oi? Correr atrás do marginal seria uma boa ideia, não?! Mas o gênio que atendeu ao telefone limitou-se a orientar a pessoa, em nítido estado de choque, a procurar a delegacia e realizar um Boletim de Ocorrência. Como se isso resolvesse o problema.

Meu tio foi assassinado há alguns anos e a grande maioria da população na cidade soube o que aconteceu. A polícia ajudou muito, questionando a sexualidade da vítima. Afinal, prender bandido não interessava naquele momento.

A mais recente envolvendo meus familiares aconteceu na semana passada. Novamente uma tia foi vítima. E agora, para piorar, seu neto de apenas sete anos sentiu na pele a dor do despreparo da polícia e de um governo que só dá valor a obras para mostrar serviço e não pensa na população. Semana passada ela foi ameaçada na porta de casa por um ladrão que mantinha em punho um facão. Conseguiu escapar. Chamou a polícia e o que disseram? Que estavam sem GASOLINA e não poderiam deslocar uma viatura. Eu já escutei coisas absurdas, mas como essa, é demais. Como se não bastasse os ladrões voltaram um dia depois e por pouco não pegaram o neto dela de apenas sete anos. O menino, astuto, conseguiu escapar e ligar para a avó que conseguiu ajuda da polícia só após muitos gritos de desespero e revolta.

Pra dar voltinha no centro a polícia tem gasolina, mas agora para cuidar do povo não tem. Eu, como muitos riossulenses, estou cansada dessas desculpas cretinas, dessa má vontade e dessa estúpida polícia que só está preocupada em distribuir multas e revistar gente inocente. Só semana passada um apartamento foi arrombado, a minha vizinha teve a bolsa roubada, meus tios e uma criança foram ameaçados com uma faca além de terem seus pertences roubados.

Não estou questionando o fato dos três assaltos terem ligação e ninguém ter sido preso ainda como viemos a saber depois. Não questiono o fato de que a violência está aí e muitas vezes a ação não consegue ser imediata. Eu questiono a inércia dessa polícia. A eficácia desses soldados e dessa corporação incompetente que nada faz além de ignorar o fato de que pessoas correm risco de morte por negligência de quem deveria estar zelando pela nossa vida. Quantos vão precisar passar por isso? Quem vai precisar morrer e colocar a boca no trombone para que as coisas mudem? Vamos fazer teatro como no Rio de Janeiro? Fingir que atacamos os bandidos, fingir que retomamos uma área e anunciar invasão? Vamos precisar ligar para a imprensa antes de agir pra mostrar para os idiotas dos telespectadores que nosso governo se preocupa com a população? Quantos inocentes vão morrer? Quantas crianças ficarão traumatizadas? Quantos pais perderão seus filhos? Ajam, antes que seja tarde.

Mi Poulain

2 comentários:

Mimo Wildner disse...

Eh, tem coisas que absurdamente não dá de entender! Policia sem gasolina, como assim? Parece pegadinha do malandro. tem mesmo é que colocar a boca no trambone, é disso que o povo gosta.

Alvarêz Dewïzqe disse...

viva o DEM, o demo e a sorte.