27 novembro 2009

é...

Poucas vezes senti vergonha de ser riossulense. Mas sexta-feira, 20 de novembro, toda a vergonha que nunca havia sentido sobrepôs o orgulho de nascer nessa cidade. No último dia do CONJOR, evento realizado pelas turmas de Jornalismo da Unidavi, Carlos Castilho e Leonardo Correa, tentaram, sem sucesso, falar ao público durante uma mesa redonda. Eis que tudo começou muitíssimo bem, apesar do atraso. Carlos Castilho deu show cada vez que assumia a palavra e falava sobre jornalismo digital.

Não sei se por falta de organização - não estou aqui criticando os alunos, que no mínimo merecem respeito por “peitar” um evento tão grande - ou se a falta de educação da população é tão grande, mas no meio da mesa redonda a povo interessado em assistir o “grande” Caco Barcellos começou a chegar e fazer muito barulho. A conversa era tamanha que em alguns momentos nem sequer conseguia ouvir o que falavam ao microfone. Isso porque estava na 4ª fileira, imagine então os que sentavam mais atrás.

Para completar o show o reitor da universidade e o prefeito chegaram conversando no corredor principal como se nada estivesse acontecendo. Nosso prefeito mais parecia uma miss ao ganhar um título. Só faltou mesmo jogar beijos, pois até abanar o dito cujo abanou. Ao findar, em meio a conversas descontroladas, visivelmente inconformados os dois jornalistas deram lugar ao rei da noite. Para anunciar Barcellos chamaram então o reitor que fechou a noite com “chave de ouro” esquecendo o nome do palestrante. Fiquei imaginando se o palestrante esquecesse o nome do reitor. No mínimo seria engraçado.

Entre trancos e barrancos, e apesar da imensa vergonha que ainda sinto por aquele dia, posso dizer que sinto orgulho de ser jornalista. Os alunos, apesar de totalmente inexperientes, conseguiram levar ao público um pouquinho de uma visão mais aguçada, desmistificando aquele ar de imprensa acima de qualquer suspeita que ainda temos no Brasil. Eventos como esse são sempre importantes para que os novos profissionais compreendam seu verdadeiro papel diante da sociedade. Apenas esperamos um respeito maior, tanto por parte da população, quanto das celebridades do município.

Mi Poulain

26 novembro 2009

Múmias vivas

Ontem presenciei um ato, no mínimo grotesco, realizado pela igreja católica aqui em Rio do Sul. Transita pelo mundo uma urna com uma estátua em cera, onde, segundo costa, a mão e o antebraço de Dom Bosco (de verdade) estão. Eu não acredito, mas respeito quem crê. Mas isso não me isenta de achar aquilo tudo muito horrível.

Diante da minha extrema curiosidade convidei Mimo Wildner para dar uma “banda” na Catedral e presenciar a cena. O negócio tava bombando. Confesso que achei aquilo muito bizarro. Distribuíam toalhas de papel na porta da igreja, alguns usavam uma camiseta com os dizeres: Estive com Dom Bosco. E muita gente chorava. Eu quase chorei também, mas foi de medo. Aquilo era horrível, para não dizer macabro. Parecia uma pessoa morta de verdade dentro de uma urna. Até a menina de Palermo é mais bonitinha que aquilo.

Saí de lá com um arrepio que corria o corpo todo. E me pergunto por que raios não deixam esse coitado de Dom Bosco em paz. Deixem o homem e ponto final. Se quiserem cultuar, beleza, mas esqueçam os pedaços do corpo dele. E se for para fazer uma estátua, que façam aquelas que ficam nas praças. Já é uma grande homenagem.

Com todo essa história fiquei pensando em gente embalsamada e uma figurinha não saia da cabeça: Vera Fischer. A mulher mais parece mesmo um boneco de cera, ou uma daquelas múmias. Diante disso revolvi elencar um clã das maiores múmias vivas. Segue:

Vera Fischer não podia faltar. A criatura praticamente não tem mais movimentos. A única coisa que vejo mexer são os braços, os olhos e as pernas. Entre tronco e pescoço a dita cuja parece ter algum tipo de paralisia. O que me faz pensar que cenas calientes, como são costume da “atriz”, devem ser muito mais difíceis de fazer do que para a grande maioria. Por isso a fofurinha sempre cai nas graças de Manoel Carlos. Pensando bem também acho que mereça um prêmio. Fazer novela com algum tipo de paralisia não deve ser fácil.


Oscar Niemeyer. Gente, o homem tem 101 anos, vai fazer 102 na metade de dezembro e nem sequer está pensando em morrer. Esse deve tomar formol todo dia antes do café da manhã. Ou trabalho de arquiteto é mole demais. Porque eu não conheço um raio de jornalista que viveu tanto assim. Deusolivre. Mandem enterrar.

Dona Canô. Não sei o que é pior, ser baiana, ter que pedir desculpas para o Lula porque o imbecil do filho disse em rede nacional que o presidente é analfabeto, ter 101 anos, ser mãe de Caetano e viver pela eternidade escutando e pior, gostando das músicas do filho, ou ter sido a culpada por botar aquela coisa feia da Maria Bethânia no mundo. Se fosse comigo não teria agüentado tanto. Essa merece mais título de santa que Dom Bosco.

Donatella Versace: É a prova viva de que dinheiro não traz beleza. Com 54 anos Donatella envergonha a família de um dos estilistas mais famosos do mundo. Antes tivessem assassinado a irmã. Gianni tinha maior pinta de gay, mas pelo menos tinha um rosto apresentável. Segundo consta Donatella era a musa inspiradora de Gianni. Vamo fala de mal gosto.

Elsa Soares: Eu nem imagino quantos anos essa criatura tem. Quem sabe uns 150. Mas é o exemplo do que não se deve ser feito. Não entendo como ela enxerga com aqueles olhos repuxados. Mais parece parente de gato. E o cabelinho? Um arraso. Dercy Gonçalves tava mais inteira quando bateu as botas.

Cauby Peixoto: Ele nem é tão velho assim. Tem 78 anos, só inclui na lista porque adoro escutar ele cantando Conceição. Além do mais ele pode ser considerado o 1º traveco brasileiro. De boa, ele não é homem de verdade. Sem contar que tenho uma amiga que tem uma vó igualzinha a ele. Até a voz. É só biquinho e purpurina.

E para terminar. Só tenho uma coisa a dizer: Ana Maria Braga? Choquei!


Mi Poulain

25 novembro 2009

Adote esta ideia você também

Se você tem aquele dinheiro adicional e inesperado no mês e pretende gastá-lo comprando filmes no sebo, sugiro que perca a vergonha na cara e peça para dar uma olhada no DVD antes, a fim de conferir se o mesmo se encontra livre de arranhões. Assim, você será mais esperto que eu, e evita que o filme trave nos últimos quinze minutos. Eu recomendo.

Se você curte a arte de se auto depreciar, ou curtir uma fossa como ninguém, sugiro que se estire na cama, sem travesseiro, sem coberta, abra os braços, feche os olhos e se concentre. Coloque a imaginação e a criatividade pra funcionar e mostre seu potencial pensando em coisas tristes e aterradoras. E não esqueça de dar o play na música “The Blower’s Daughter”, do Damien Rice. Eu recomendo.

Caixinha de som é mato. O negócio é estourar os tímpanos com o velho fone de ouvido, sentindo a voz rouca do James Blunt no ouvidinho, cantando só pra você. Ele até sussurra. É só baixar o volume um pouquinho. Eu recomendo.

Tem coisa mais criminosa/autodepreciativa do que comer a carne moída do meio-dia, a 0h30 de uma segunda-feira? É deprimente quando se come mesmo sabendo que vai se arrepender nos próximos cinco minutos. Mas mais deprimente ainda é, mesmo assim, não conseguir não comer. Comer com aquela culpa na consciência não faz bem pra ninguém, nem pra moral. Eu recomendo.

Se você está de namorado novo já nos primeiros meses do ano e sente que o negócio vai longe, não deixe pra fazer o “regime do verão” no mês de novembro. Comece, se possível, já na primeira semana do affair, assim, evitará constrangimentos futuros na hora de ficar de biquíni na praia com o gajo e família. Eu recomendo.


Assinado,

Fundação Mimi Kiddo para um Futuro Melhor.

17 novembro 2009

Achado não é roubado

Perdemos (o gajo e eu), um cheque nesta semana. Nunca havia perdido dinheiro. Pelo menos não tanto. Tudo bem, o cheque não era lá muito valioso. Mas era fruto do meu trabalho. E isso dói. Você suar para ganhar aquele extra. Trabalhar várias noites para ter acesso àquela pequena, porém significativa quantia que ajuda a engordar o porquinho todo mês, e vê-la perdida no vento, sem lenço e sem documento, dói mais do que imaginava.

Nunca suei tanto na vida. E olha que nessa semana nem sequer fez calor. Procuramos desesperados aquele pedaço de papel. Mas foi em vão. Encontramos tudo, menos o bendito cheque. Ok, depois de muitas lamúrias, a solução. Vamos sustar o dito-cujo. Eis que descobrimos que para que haja sustação é necessário fazer um Boletim de Ocorrência. E lá fomos nós rumo à maratona-do-cheque-louco.

Chegamos na delegacia, cumprimos com as formalidades, e durante a rápida conversa fiz um questionamento ao rapaz que nos atendeu. - Quando alguém encontra um cheque (nominal) não devolve e ainda por cima tenta trocar, é furto? O rapazote olhou-me atentamente e com um sorriso de canto de boca, como quem quer deixar transparecer um subjetivo, nem tão subjetivo assim, idiota, e respondeu-me: - Não! Cada um deve cuidar do que tem. A pessoa não tem culpa que você perdeu.

Ok, ela não tem culpa. Concordo. Mas a tentativa de trocar esse cheque não seria apropriar-se do que não lhe pertence? Em outras palavras, a meu ver, pegar aquilo que não é meu e ainda por cima tentar tirar vantagem disso é nada mais, nada menos que furto. Confesso que não fiquei chocada. Até esperava por isso. Achei no mínimo engraçado. Tantas leis. Tantas regras. E um simples ato de honestidade não conta? Ou pior, a desonestidade não é tomada como infração?

Por fim, quase me obrigo à rendição. O que farei ao encontrar um cheque nominal à fulano-de-tal? Ora, vou trocar. Afinal, achado não é roubado! Como diriam alguns: E a vida segue. Com peso na consciência, mas segue.

Mi Poulain

11 novembro 2009

Bolsa Família e a política do Pão e circo

Raramente ligo a televisão no canal local durante a noite. Mas ontem foi um dia atípico. Depois de suar a tarde inteira, o gajo e eu resolvemos exercer todo o nosso lado preguiço. Arrumamos algo para comer e sentamos em frente à televisão. Assistíamos jornal quando durante uma reportagem sobre o cadastro do Bolsa Família uma coisa me chamou atenção.

Estavam falando sobre o recadastramento e toda aquela palhaça de que considero esse benefício besta criado apenas para ganhar fama e graça entre a classe mais empobrecida. Pois bem, dizia lá o repórter durante sua passagem, que das 160 famílias riossulenses cadastradas no Bolsa Família, apenas 60 haviam entrado em contato com o órgão responsável e efetuado a atualização dos dados. Gente, isso lá é raio de matéria de passar em televisão? Se é que realmente esse plano existe e funciona como deveria, as pessoas que necessitam de auxílio do governo não tem sequer aparelho de TV em casa (ou em tese não teriam condições de ter), para poderem assistir o que dizia o repórter. Mas se o cara tem tempo para assistir, dinheiro para investir numa compra tão cara, e cacife pra bancar energia elétrica desnecessária então ele não precisa aderir ao plano.

Porém, vamos supor que o dito-cujo ainda precise do auxílio de Bolsa Família. Como ele irá saber que precisa fazer o recadastramento? Existe algum tipo de aviso além dos meios de comunicação, que sabemos nós, não é habito entre a classe realmente baixa? E outra, o governo não precisa fazer algum tipo de fiscalização para saber se quem necessita está recebendo esse valor? Não seria então muito mais interessante que esses agentes do Bolsa Família visitassem as casas, já que é necessário em qualquer cadastro “normal” comprovar moradia? Ou seja, ao mesmo tempo eles estariam efetuando esse recadastro e também fiscalizando para verificar a efetividade desse tipo de programa.

Isso tudo pode parecer meio preconceituoso e extremamente radical, mas diante da máxima do “não dar o peixe, mas ensinar a pescar”, Lula conseguiu desvirtuar toda uma linha de pensamento e acabar de vez com a “boa” imagem que ainda restava diante daqueles poucos que fogem à regra da ignorância extrema. É triste aceitar que um povo acredite realmente que ganhar tudo de mão beijada é o caminho certo para o progresso.

Mi Poulain

05 novembro 2009

Dando uma olhadela no dicionário, ficamos embasbacados diante de tantas palavras atípicas e, principalmente, incrédulos quanto aos seus significados. Eu tive uma colega no curso de Jornalismo que, com certeza, lia um pouco do dicionário antes de dormir. Acho até que o dicionário era o livro de cabeceira dela. Certa vez, o grupo teve aquela discussão básica, um leve conflito de classe e, no fim, ela se levantou e disse que éramos alguma coisa, que até hoje não sei o que é. Quer dizer, além de xingar, a pessoa faz-nos sentir ignorantes. Mas foi engraçado, porque quando ela terminou a frase, ninguém se sentiu ofendido, mas também não soubemos revidar à altura. Ficamos na nossa.

Por outro lado, tinha uma menina que fazia jus ao estereótipo: loira, alta, magra, mas burra que dói. Um dia, numa aula com o professor que hoje é o coordenador do curso, ela falava sobre uma revista bastante interessante que trazia uma reportagem “que fala sobre a II Guerra Mundial, o Hitler, os judeuses, e tal”. Judeuses! Essa sim devia ler o dicionário de vez em quando.

Mudando de assunto e deixando os verbetes de escanteio, universidade, colégios e afins são uma fonte muita rica em matéria de humor, esquisitices, bizarrices que só acontecem lá. Eu atribuo isso ao fato de concentrar, num mesmo recinto, um grande número de pessoas heterogêneas. Seres (alguns menos humanos do que outros) de todos os tipos.

Em uma aula, tínhamos que contar um caso marcante na vida. Teve uma que, quando pequena, comeu a flor copo-de-leite. Sim, mastigou as pétalas pra ver se o Fábio Júnior surgiria (tal como aconteceu na novela). TV, uma fonte de cultura e entretenimento.

Tinha uma, a Carla, que jamais vou esquecer. Feia que é o diabo, deveria ter sido apelidada de Carla, a Patriota. Nunca esqueço do dia que ela cantou o Hino Nacional na frente da sala, enrolada na bandeira do Brasil, chorando que nem uma condenada. Essa gostava mais da nação do que a Thalia que, quando vinha pra nossa terra, cantava superempolgada “Tê ámo, tê ámo, tê ámo, Brasiiiil!” Agora lembrei o apelido dela: Carlinha dos Teclados. Ela tocava teclado, e ficávamos imaginando ela cantando o Hino, tocando teclado, enrolada na bandeira e chorando. Uma cena bem deprimente que não saía da nossa cabeça.

Tinha uma também que era bem estranha. Ela trabalhava na rádio da cidade em que morava, pertinho daqui, e poxa, que legal trabalhar na rádio já no começo do curso. Dá pra aprender, fazer um estágio e ganhar experiência. Depois foram descobrir que ela fazia cafezinho na rádio. Era essa sua função. Nada contra, mas ela só esqueceu de avisar.

Quando estamos no fim do curso, não vemos a hora de que tudo acabe logo de uma vez. Aí vem o sabichão e nos diz: “Não falem isso... vocês morrerão de saudade”. Realmente, acontecia cada coisa dentro da sala de aula, que a nostalgia vai ser eterna, e a vontade de que tudo volte pra poder reviver cada momento, é inevitável. Onde mais eu vou ver a professora de “Expressão Corporal”, que pesava uns 120 kg, cair da cadeira e se esborrachar no chão? Onde eu vou encontrar a professora que insiste em dizer “adevogado”, se não na universidade?

Mimi Kiddo

03 novembro 2009

Trabalho é remédio da alma (título exagerado)

Já tive empregos bons, alguns pouco rentáveis, outros nada legais. Mas não posso reclamar. Com o pé nos 25 tive mais empregos que meu pai se duvidar. Comecei no restaurante da minha avó. Servindo comida para empresas. Era limpar chão, lavar louça, servir peão das 7 da matina até quando o serviço acabasse. Admiro muito todos que trabalham lá há anos. Não é um serviço fácil e nem muito rentável. Mas quem precisa, sujeita-se.

Depois parti para uma madeireira. Não durou duas semanas. Os motivos não vêm ao caso, mas o negócio era complicado. Depois disso consegui como costureira na empresa da mãe de uma amiga. Após furar o dedo com a agulha e demonstrar finalmente que eu não servia para aquilo, resolveram me colocar para empacotar. Nunca me diverti tanto em um emprego. Era uma mistura de pessoas tão diferentes e ao mesmo tempo com uma história de vida tão interessante.

Logo comecei a faculdade e consequentemente não aguentei a carga horária puxada. Parti para o estágio na biblioteca da universidade. O fato de estar perto dos livros me fez criar o hábito da leitura. Os outros estagiários eram divertidíssimos, fiz grandes amigos por lá. O problema era mais em cima. Não vou entrar no mérito da questão. Mas uma coisa me intriga até hoje. Não consigo entender o porquê de manter pessoas tão sem “tato” para comandar um setor onde as pessoas procuram no mínimo um pouco de paz e sossego. Bom, paciência. Apenas desejo boa sorte aos que passarão por lá algum dia. Será necessário.

Felizmente ganhei a conta e então e logo arrumei outro trabalho. A função era fácil de desempenhar, mas minha área não era compatível e tive que sair. Logo vim para o meu atual emprego e nele estou há três anos. De todos os lugares que passei esse é com certeza o mais doerá deixar. Um clima agradável, onde cada um cuida do seu trabalho sem nenhum tipo de pressão. E acreditem, funciona. E nessa mistura de trabalhos e funções percebi que não importa o lugar, as pessoas, a tarefa desempenhada. Você sempre levará algo de bom, por pior que seja. Com isso a vida segue e tento tirar dela o melhor. Que venham outros trabalhos, muitos colegas e a vontade de crescer sempre.

Mi Poulain