
Poucas vezes senti vergonha de ser riossulense. Mas sexta-feira, 20 de novembro, toda a vergonha que nunca havia sentido sobrepôs o orgulho de nascer nessa cidade. No último dia do CONJOR, evento realizado pelas turmas de Jornalismo da Unidavi, Carlos Castilho e Leonardo Correa, tentaram, sem sucesso, falar ao público durante uma mesa redonda. Eis que tudo começou muitíssimo bem, apesar do atraso. Carlos Castilho deu show cada vez que assumia a palavra e falava sobre jornalismo digital.
Não sei se por falta de organização - não estou aqui criticando os alunos, que no mínimo merecem respeito por “peitar” um evento tão grande - ou se a falta de educação da população é tão grande, mas no meio da mesa redonda a povo interessado em assistir o “grande” Caco Barcellos começou a chegar e fazer muito barulho. A conversa era tamanha que em alguns momentos nem sequer conseguia ouvir o que falavam ao microfone. Isso porque estava na 4ª fileira, imagine então os que sentavam mais atrás.
Para completar o show o reitor da universidade e o prefeito chegaram conversando no corredor principal como se nada estivesse acontecendo. Nosso prefeito mais parecia uma miss ao ganhar um título. Só faltou mesmo jogar beijos, pois até abanar o dito cujo abanou. Ao findar, em meio a conversas descontroladas, visivelmente inconformados os dois jornalistas deram lugar ao rei da noite. Para anunciar Barcellos chamaram então o reitor que fechou a noite com “chave de ouro” esquecendo o nome do palestrante. Fiquei imaginando se o palestrante esquecesse o nome do reitor. No mínimo seria engraçado.
Entre trancos e barrancos, e apesar da imensa vergonha que ainda sinto por aquele dia, posso dizer que sinto orgulho de ser jornalista. Os alunos, apesar de totalmente inexperientes, conseguiram levar ao público um pouquinho de uma visão mais aguçada, desmistificando aquele ar de imprensa acima de qualquer suspeita que ainda temos no Brasil. Eventos como esse são sempre importantes para que os novos profissionais compreendam seu verdadeiro papel diante da sociedade. Apenas esperamos um respeito maior, tanto por parte da população, quanto das celebridades do município.
Mi Poulain

2 comentários:
Realmente a vergonha foi imensa naquele dia. Pessoas sem noção andavam pelos corredores, desfilando como se estivessem numa sala de cinema com as luzes acesas. Outros ditos políticos cumprimentavam amigos e eleitores que já se encontravam sentados, os burburinhos deram lugar a uma verdadeira festa, aos que estavam interessados na Mesa redonda, ou mesmo aqueles profissionais que se dispuseram vir e conversar sobre Jornalismo Digital, ficou apenas a vontade e provavelmente a indignação.
Ahh... quero apenas dizer aqui tb que o que me deixou ainda mais "de cara" foi o mediador da tal mesa redonda não se manifestar, mesmo sob o comando da ocasião e com microfone nas mãos ele se quer pediu silêncio, pior, disse que já estavam no final e que nem espaço para perguntas e tão menos respostas haveria.
Que vergonha meu povo!
Não fui ao evento, mas foi com grande tristeza que li o artigo, e me aborreceu como se portaram algumas pessoas nesse dia.
Tive o prazer, hoje pela manhã- durante a espera de uma consulta na clinica do Dr Amir, de ver o trabalho de um amigo de bar, o grande-tempestuoso e inteligentíssimo Beling.
Li o artigo em seu Jornal antes mesmo de o ler aqui no Blog, tive o prazer de conhecer O Jornal A cidade, que me agradou bastante onde senti que o jornalismo crítico ainda existe. Parabéns Mi pelo texto, sua visão de boa educação e senso moral nos faz muito bem!
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