05 novembro 2009

Dando uma olhadela no dicionário, ficamos embasbacados diante de tantas palavras atípicas e, principalmente, incrédulos quanto aos seus significados. Eu tive uma colega no curso de Jornalismo que, com certeza, lia um pouco do dicionário antes de dormir. Acho até que o dicionário era o livro de cabeceira dela. Certa vez, o grupo teve aquela discussão básica, um leve conflito de classe e, no fim, ela se levantou e disse que éramos alguma coisa, que até hoje não sei o que é. Quer dizer, além de xingar, a pessoa faz-nos sentir ignorantes. Mas foi engraçado, porque quando ela terminou a frase, ninguém se sentiu ofendido, mas também não soubemos revidar à altura. Ficamos na nossa.

Por outro lado, tinha uma menina que fazia jus ao estereótipo: loira, alta, magra, mas burra que dói. Um dia, numa aula com o professor que hoje é o coordenador do curso, ela falava sobre uma revista bastante interessante que trazia uma reportagem “que fala sobre a II Guerra Mundial, o Hitler, os judeuses, e tal”. Judeuses! Essa sim devia ler o dicionário de vez em quando.

Mudando de assunto e deixando os verbetes de escanteio, universidade, colégios e afins são uma fonte muita rica em matéria de humor, esquisitices, bizarrices que só acontecem lá. Eu atribuo isso ao fato de concentrar, num mesmo recinto, um grande número de pessoas heterogêneas. Seres (alguns menos humanos do que outros) de todos os tipos.

Em uma aula, tínhamos que contar um caso marcante na vida. Teve uma que, quando pequena, comeu a flor copo-de-leite. Sim, mastigou as pétalas pra ver se o Fábio Júnior surgiria (tal como aconteceu na novela). TV, uma fonte de cultura e entretenimento.

Tinha uma, a Carla, que jamais vou esquecer. Feia que é o diabo, deveria ter sido apelidada de Carla, a Patriota. Nunca esqueço do dia que ela cantou o Hino Nacional na frente da sala, enrolada na bandeira do Brasil, chorando que nem uma condenada. Essa gostava mais da nação do que a Thalia que, quando vinha pra nossa terra, cantava superempolgada “Tê ámo, tê ámo, tê ámo, Brasiiiil!” Agora lembrei o apelido dela: Carlinha dos Teclados. Ela tocava teclado, e ficávamos imaginando ela cantando o Hino, tocando teclado, enrolada na bandeira e chorando. Uma cena bem deprimente que não saía da nossa cabeça.

Tinha uma também que era bem estranha. Ela trabalhava na rádio da cidade em que morava, pertinho daqui, e poxa, que legal trabalhar na rádio já no começo do curso. Dá pra aprender, fazer um estágio e ganhar experiência. Depois foram descobrir que ela fazia cafezinho na rádio. Era essa sua função. Nada contra, mas ela só esqueceu de avisar.

Quando estamos no fim do curso, não vemos a hora de que tudo acabe logo de uma vez. Aí vem o sabichão e nos diz: “Não falem isso... vocês morrerão de saudade”. Realmente, acontecia cada coisa dentro da sala de aula, que a nostalgia vai ser eterna, e a vontade de que tudo volte pra poder reviver cada momento, é inevitável. Onde mais eu vou ver a professora de “Expressão Corporal”, que pesava uns 120 kg, cair da cadeira e se esborrachar no chão? Onde eu vou encontrar a professora que insiste em dizer “adevogado”, se não na universidade?

Mimi Kiddo

2 comentários:

Miss Purpurina disse...

Otimo texto

A cada dia eu tenho mais orgulho de vocês, lembrar até das coisas crueis que aconteceram foi fera!

A patriota mesmo matou a pau!

bjo**

Mimo Wildner disse...

Gente que saudaades. Com certeza nostalgia pura! Saudades dos PAscários, essa foi a palavra que a tal menina usou para chamar a gente de idiota... pensa! kkkk

E tantas outras coisas cômicas, como a Gabi trazendo água na mão para alguém na sala, a POulain "dançando a música" do Laka Cream para uma desconhecida... A Kiddo insistindo em ocupar a parte da mesa da POulain... aiaiii quantas lembranças!