18 agosto 2009

O final de semana perfeito!


Durante os meses de outubro, novembro e dezembro de 2008 passei os dias de férias forçadas na casa de sítio. Uma casa verde, janelas brancas, o gramado sempre aparado e nos portões: meu pai. No dia em que minha sobrinha nasceu, ele plantou vários pezinhos de Jasmim, em homenagem a nova integrante da família, Yasmin e seu irmão gêmeo Igor. Ao sentarmos na escadaria da varanda sentimos o aroma da florzinha e podemos apreciar o mais maravilhoso pôr do sol que pode existir.

Lá eu cantava, lá chorava e lá eu me lamentava. Achava que tudo que tinha acontecido comigo era um castigo, algo de muito errado que eu fizera. Fui melhorando, voltando a vida normal, e acabei por esquecer o sítio, que nessa época parecia uma prisão para mim.

Na sexta-feira 14, os planos já estavam feitos, e achando que não poderia ser melhor com camarotes e entradas ganhas para ver a corrida no autódromo de Lontras, chega meu estimado pai, e faz aquela pergunta: - Filha, eu e tua mãe estamos indo para o sítio, vamos junto? Respondi sem lembrar do antigo compromisso: - Sim, vamos! À noite liguei para o estimado e cancelamos o programa anterior, já que nos acompanharia um casal de amigos. Ficaria indelicado não comparecer ainda mais sem avisar.

Com os pensamentos voltados para aprontar, saí sábado de manhã rumo à papelaria da cidade, comprei cartolinas, tintas e pincéis. Três de cada. Afinal, eu iria raptar meu afilhado e minha irmã levaria os gêmeos. Pronto! O simples programa de sítio dos meus pais fora invadido pela família toda. Carregamos os carros com cervejas, carnes e apetrechos indispensáveis como o baralho e os anzóis de pesca. E eu? Bom, eu fui convencer minha irmã para que deixasse levar meu afilhado Marvin de 1 ano e dez meses junto.

Após choro de ciúmes dos pais eles concordaram. Pronto! Nossa turminha estava formada. O carro, Marvin foi tomando a sua adorada tetei ( mamadeira), em minutos já dormia. Ao sair de casa, fui de moto com meu cunhado até o caminho em que iríamos seguir direções contrárias, já que o bebe ficaria comigo, eles iriam passear de moto, com os amigos.

Como eu adoro velocidade, e ainda não pude voltar a dirigir muito por ai, andar de moto, nem que for à garupa agarrada no pescoço já é uma enorme compensação. Com uma mão segurando firme no tanque e a outra mais forte ainda no pescoço, senti novamente aquela adrenalina do vento e do frio daquelas motos enormes e lindas de carenagem vermelha e dourada. Na rua do centro mesmo ele falou em voz forte: Agora segura!... E aquilo para mim tinha o mesmo efeito da morfina na veia quando controlava minhas dores.

O carro da frente entrou à esquerda e a rua era só nossa, ele deu aquelas três puxadas no motor só para barulhar acentuando mais ainda o meu nervosismo e minha ansiedade pela velocidade. Não posso contar-lhes aqui a que velocidade chegamos por que não consegui ver, mas a pressão foi tanta que tive que me segurar com as duas mãos nele, por que parecia que meu corpo voava, subia no ar sem esforço algum. Ao descer da moto sentia minhas pernas trêmulas como a tempo eu não sentia. Entrei no carro do digníssimo, e seguimos rumo ao sítio, no interior de minha cidade.

Após 15 minutos de estrada de chão ao parar o carro o bebe acordou, estava mais feliz que eu por estar lá, em meu colo com as bochechas rosadas de dormir, ele chamava a ovelhinha o cachorro a vaca, estava tão nervoso que saiu correndo, ao encontro de meus pais. Parecia que não os via há dias, quando na verdade só fazia horas que estavam juntos. Brincamos no colchão inflável que é sempre colocado no gramado macio. Pescamos, comemos frutas e ele deu milho para o porquinho. Não demorou muito chegou o resto da turminha, os três brincavam e junto deles eu me divertia mais ainda.

Tenho que revelar-lhes um segredo, durante a pescaria da tarde ninguém pegou nada, eu já chateada da vida não desisti, todos haviam saído, quando depois de uma briga enorme com um peixe finalmente consegui tirá-lo da água. Levei para a casa, todos se admiraram com o meu poder, afinal ninguém pega peixe nessa época do ano, ainda mais com aquele vento. Meu pai elogiou e se empolgou, foi pegar a tarrafa para aumentar o número de peixes, por que iria ter festa agora, o milagre de ter pego um tão grande no anzol tinha que ser comemorado com uma peixada.

Bom gente, a verdade é que eu não peguei nada e comecei a xingar os peixes, sim eu fiz isso! O caseiro que passava perto do lago, ficou com pena de mim buscou a tarrafa e tirou um enorme peixe, para parecer verídico o conto do pescador, furamos o beiço do peixe, e engatamos no anzol, levei a vara com peixe falsamente pescado bem contente para casa. Até o exato momento ninguém sabe a verdade, só eu o caseiro, pra quem ainda estou devendo um baralho novo.

Como programado a janta era feita pelo chefe da casa, e as crianças e eu pintávamos na sala, cada um com a sua cartolina e seus pincéis faziam riscos, bolinhas e eles achavam aquilo o máximo. A coordenação deles é boa contando que todos têm em média dois anos. Com todo o assoalho pintado pelas sobras, minha mãe, a vovó deles, muito brava pela bagunça, acabou com a festa, guardamos as obras de arte.

À noite a minha irmã voltou para buscar o Marvin, que segundo ela dormiu na mesma hora que entrou no carro e não acordou até o dia seguinte, deveria estar muito cansado, afinal foram tantas novidades! A oportunidade foi regada por muita tranca e depois cachetinha a dinheiro, perdi quase todas, mas isso não me entristeceu.

Cansada e com vontade de dar mais cheirinhos nos bebês fui fazer os gêmeos dormirem. O sono logo veio e antes do amanhecer eu já estava acordada, não via a hora de o dia começar e curtir aquilo tudo novamente, eu queria mais. Tivemos que sair antes que eles acordassem, por que tinha outra festa com a família do meu estimado.

Tudo tranqüilo durante o evento, minha futura sogra pagou o almoço de todos em uma festa de jardim. Já em casa um soninho para esticar as costas, e à tardinha outro convite para andar de moto. Com um caminho mais longo e o pé menos pesado fomos mais devagar, mas mesmo assim me fez sentir viva novamente e ver como pequenas coisas podem nos proporcionar momentos felizes.

O que eu poderia querer mais?

Curtam os momentos felizes.

Miss Purpurina

8 comentários:

Mi Poulain disse...

Os teus sobrinhos são muito lindos mesmo. Que bom poder viver momentos assim depois de tanta coisa ruim. Felicidade é isso. Momentos.

Dignissimo disse...

Eu sabia que o peixe era pego na tarrafa, nunca tinha cara de ser pescado.
Ah o caseiro ligou e pediu o baralho novo....
E me paga o dinheiro que eu te emprestei pra jogatina.

kkkkkkk

Priminha disse...

Adoreiii a historia, bem a sua cara..... saudadessss

Priminha disse...

Ei, final de semana to por ai.. Tambem quero momentos assim felizes, saudades de todos voces, e dos bebes também! Vê se paga o baralho, o caseiro deve estar querendo um baralho, afinal tranca é muito BOM!!!

Gabi disse...

Ri muito com a historia do peixe, hihi.
Muito bom o texto, vc escreve muito bem! Parabéns!

E sobrinho é tudo de bom, né? Tenho um de 2 anos que é uma figura!

Marina Fornerolli disse...

uhasusahusahusa
amoura, essa do peixe foi boa...acho que vou fazer isso qdo for pescar, pq eu tbm não consigo pescar nada hahahaha
e é isso aí, curtam as coisas simples da vida, que são as melhores :D
beeeeijo e parabéns pelo texto...mt bom :)

Mimo Wildner disse...

hauhauhauhauha. Consigo imaginar você choramingando durante as ferias forçadas, enganando todos com o peixe "pescado" na tarrafa, "maltratando" os pobres bebês... e aquele enorme sorriso no rosto!!

Adorei a historinha. Beijo

Odair disse...

kkkkkkkk...a do peixe foi muito boa!!

Parabens muie du ceu!